Comparativo CLT vs PJ
Esta calculadora de comparativo CLT vs PJ foi feita para desenvolvedores e freelancers de tecnologia no Brasil. Preencha os dois lados — carteira assinada e CNPJ — e veja lado a lado quanto sobra no bolso em cada modelo, com impostos, benefícios e provisões calculados automaticamente.
A comparação CLT x PJ vai além do salário bruto: inclui 13º, férias, FGTS, pró-labore, DAS do Simples e custos que só o PJ precisa cobrir. Use os resultados para orientar a conversa com seu contador antes de decidir.
Simulador
Comparativo CLT x PJ: o que analisar antes de decidir
CLT é trabalhar com carteira assinada: você é empregado e a empresa desconta impostos na folha. PJ é ter CNPJ (MEI, Simples ou outro regime) e prestar serviço como empresa — você paga seus impostos e custos por conta própria. Os dois caminhos podem dar valores parecidos no fim do mês, mas o jeito de pagar e o que vem “de brinde” são bem diferentes.
O que a carteira assinada costuma incluir
Além do salário que cai na conta, o empregado CLT em geral tem direito a 13º salário, férias (com um terço a mais), FGTS (a empresa deposita 8% por mês; na demissão sem justa causa pode haver multa de 40% sobre o que foi guardado), vale-transporte, vale-refeição, plano de saúde em alguns casos e regras de aviso e estabilidade. Por isso comparar só “quanto cai na conta” com PJ pode enganar: o pacote CLT costuma valer mais do que o número da folha.
Por que muita gente escolhe PJ
- Valor negociado: o preço do serviço costuma ser combinado por projeto ou por hora, não só “salário fixo”. Pode sobrar mais no bolso — desde que você some todos os gastos que a CLT cobriria sozinha.
- Mais liberdade: escolher clientes, horários e tipo de contrato. Em troca, você cuida de impostos, notas fiscais e da sua própria reserva financeira.
- Impostos no Simples: em alguns cenários de serviço dá para pagar menos no boleto mensal (DAS), principalmente com o Fator R — explicamos CNAE, anexos e essa conta nas seções abaixo.
Gastos que quem é PJ costuma ter (e o empregado CLT não)
- Contador: ajuda a declarar impostos e manter a empresa em dia. Costuma custar algumas centenas de reais por mês, dependendo do serviço.
- DAS (no Simples Nacional): é o boleto mensal que junta vários impostos da empresa em um pagamento só. O valor muda conforme quanto você faturou nos últimos 12 meses e em qual “tabela” (anexo) você se enquadra.
- Pró-labore: é o “salário” que o dono da empresa define para si mesmo. Sobre esse valor entram INSS (previdência) e Imposto de Renda — parecido com o desconto da folha CLT, mas é você quem organiza.
- Sem 13º e sem FGTS automáticos: ninguém deposita 8% por mês numa conta do FGTS nem paga 13º salário por lei. Se quiser ter a mesma reserva que um empregado, precisa guardar dinheiro por conta própria.
- Férias e demissão: não há férias pagas com 1/3 extra nem multa de 40% do FGTS quando o contrato de serviço acaba. Isso precisa estar combinado no contrato ou planejado por você.
O que é CNAE e como isso escolhe a tabela de imposto
CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) é o código que descreve o que a sua empresa faz oficialmente — por exemplo, prestação de serviços, consultoria ou trabalho intelectual. Ele aparece no CNPJ, na nota fiscal e nas declarações para a Receita Federal. Não é o mesmo que o seu cargo ou o título do contrato com o cliente: é a atividade econômica registrada na empresa.
No Simples Nacional, o CNAE ajuda a definir em qual anexo (III ou V, entre outros) a empresa começa a pagar impostos. Cada anexo é uma tabela de percentuais diferente sobre o faturamento — por isso o CNAE importa tanto quanto o faturamento.
- Anexo V — atividade intelectual: costuma ser o ponto de partida para quem vende conhecimento e não um produto físico — consultoria, análise, projeto, pesquisa e desenvolvimento. As alíquotas costumam ser mais altas que no III.
- Anexo III — serviços em geral (e alguns intelectuais com Fator R): reúne muitos tipos de serviço com tabela em geral mais barata. Algumas atividades entram direto no III pelo CNAE. Outras começam no V, mas podem migrar para o III se a empresa cumprir o Fator R (folha de pessoal ≥ 28% do faturamento em 12 meses).
Exemplos de CNAE — costumam começar no Anexo V
Atividades intelectuais, consultoria e conhecimento (lista da LC 123):
- 6201-5/01 — Desenvolvimento de programas de computador sob encomenda
- 6202-3/00 — Desenvolvimento e licenciamento de software customizável
- 6204-0/00 — Consultoria em tecnologia da informação
- 6209-1/00 — Suporte técnico e manutenção em TI
- 6311-9/00 — Hospedagem, tratamento de dados e serviços na internet (SaaS, nuvem)
- 7020-4/00 — Consultoria em gestão empresarial
Exemplos de CNAE — costumam ir ao Anexo III
Serviços que a lei enquadra fora da atividade intelectual (tabela mais barata desde o início):
- 9511-8/00 — Reparação e manutenção de computadores e periféricos
- 8020-0/01 — Monitoramento de sistemas de segurança
- 8220-2/00 — Teleatendimento (call center)
- 8129-0/00 — Limpeza em prédios e domicílios
- 8599-6/03 — Treinamento em informática (conforme enquadramento na lista oficial)
Mesmo CNAE intelectual do V (ex.: 6201-5/01 ou 6204-0/00) pode passar a tributar como Anexo III se o Fator R for ≥28% — ou seja, o código não muda; muda a tabela de imposto por causa da folha de pagamento.
Em resumo: o CNAE diz qual é o “tipo” legal da sua atividade; o anexo diz qual tabela de imposto se aplica. Para serviços intelectuais, o caminho mais comum é CNAE de serviço intelectual → começa no V → com folha alta o suficiente, pode ir para o III e pagar um DAS menor. Nem todo CNAE é igual: a lista oficial e o que você de fato vende precisam combinar.
Na abertura do CNPJ escolhe-se um CNAE principal (e pode haver secundários). Trocar de CNAE ou de anexo sem orientação pode gerar multa ou cobrança retroativa. O contador confere o código, o tipo de serviço na nota e se o Fator R permite usar o III.
Fator R: quando o imposto do Simples pode ficar mais barato
Com o CNAE e o anexo definidos, o Fator R é o que pode levar quem começou na tabela V a pagar como tabela III, com boleto mensal (DAS) menor.
A conta é simples: quanto a empresa gastou com pessoal nos últimos 12 meses dividido por quanto ela faturou nos mesmos 12 meses. Se o resultado for 28% ou mais, muitas empresas de serviço podem usar a tabela III. Na prática isso costuma exigir um pró-labore relevante (no mínimo o salário mínimo e, em vários casos, uma fatia da receita — por volta de 20% a 28%, conforme a regra). Menos imposto no DAS pode significar mais INSS e Imposto de Renda no pró-labore; o que sobra no final depende do seu faturamento.
Salário mínimo usado como referência em 2026: R$ 1.621,00/mês. O enquadramento certo depende da atividade da empresa e deve ser confirmado com contador e no site do Simples Nacional.
Tabelas de imposto — Anexo III e Anexo V
O CNAE e o tipo de serviço indicam se você olha principalmente a coluna da tabela III ou da V. Quanto maior o faturamento em 12 meses, maior a faixa e, em geral, a porcentagem de imposto. A coluna % real é o que mais se aproxima do que você paga de fato naquele patamar; a coluna % oficial é o número bruto da lei. A última coluna mostra o quanto a tabela V fica mais cara que a III na mesma faixa.
| Faixa | Faturamento em 12 meses (até) | Tabela III — % oficial | Tabela III — % real | Tabela V — % oficial | Tabela V — % real | V acima do III |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1ª | R$ 180.000,00 | 6,0% | 6,00% | 15,5% | 15,50% | +9,50% |
| 2ª | R$ 360.000,00 | 11,2% | 8,60% | 18,0% | 16,75% | +8,15% |
| 3ª | R$ 720.000,00 | 13,5% | 11,05% | 19,5% | 18,13% | +7,07% |
| 4ª | R$ 1,8 mi | 16,0% | 14,02% | 20,5% | 19,55% | +5,53% |
| 5ª | R$ 3,6 mi | 21,0% | 17,51% | 23,0% | 21,28% | +3,76% |
| 6ª | R$ 4,8 mi | 33,0% | 19,50% | 30,5% | 19,25% | +-0,25% |
Este texto é só para aprender e comparar ideias. Impostos, atividades permitidas e regras da cidade mudam com o tempo. Antes de abrir CNPJ, mudar de tabela ou largar o emprego, converse com um contador de confiança.
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Como interpretar os resultados da simulação
As colunas CLT e PJ mostram estimativas lado a lado com base só no que você preencheu. Na CLT, o líquido parte do bruto menos INSS, IRRF, vale-transporte e outros descontos informados; benefícios e provisões (13º, férias e FGTS mensal de 8%) entram no pacote conforme as regras simplificadas da tela.
Na PJ, o regime (MEI, Simples ou Lucro presumido) muda impostos, pró-labore e despesas. O comparativo final destaca qual pacote mensal (CLT com benefícios acumulados vs PJ líquido com benefícios não tributáveis) fica maior na simulação — não é recomendação automática de mudança de carreira.
Detalhes expansíveis nas colunas listam cada linha de desconto ou custo. Use-os para entender de onde veio a diferença antes de confiar só no banner “melhor opção”. Valores zerados ou padrão podem distorcer o comparativo se não refletirem seu contrato real.
Comparação em outros cenários
A tabela comparativa CLT vs PJ resume o pacote mensal de cada lado: salário líquido, benefícios, provisões e custos PJ. Vantagem: visão única para discussão com contador ou RH. Limite: simplifica legislação (IRRF 2025, Simples por faixa, MEI fixo) e ignora riscos trabalhistas, estabilidade e custo de oportunidade.
Quando o banner indica “melhor opção”, ele compara os totais simulados naquele instante. Um empate significa que, com os números digitados, os pacotes fecham parecidos — pequenas mudanças em benefícios, faturamento PJ ou despesas podem inverter o resultado.
Salvar comparação guarda os campos no navegador; copiar URL compartilha o cenário. Isso ajuda a iterar cenários, mas não substitui planilha oficial da empresa ou laudo contábil. FGTS e multa de 40% são estimativas educativas sobre bases informadas.
Em resumo: use o quadro para orientar conversa e sensibilizar alavancas (bruto, faturamento, regime, benefícios). Decisão formal exige análise de contrato, convenção coletiva, obrigações acessórias e tributação completa — especialmente se houver distribuição de lucros ou múltiplos vínculos.
Perguntas frequentes
- O resultado garante que PJ é melhor que CLT?
- Não. A tela compara estimativas monetárias mensais com premissas simplificadas. CLT traz direitos, seguro-desemprego, férias garantidas e proteção trabalhista que não entram como “preço” na coluna. PJ traz flexibilidade e potencial de faturamento, mas também risco, custo de contador e responsabilidade tributária.
- Os impostos do Simples estão corretos para minha empresa?
- O modelo usa faixas e anexos de forma educativa conforme faturamento e tipo de atividade informados. Casos reais podem ter Fator R, substituição tributária, receitas mistas ou enquadramentos específicos. Valide o DAS e obrigações com contador antes de decidir.
- Por que o IRRF parece diferente do holerite?
- A simulação aplica regras aproximadas da redução mensal de 2025 sobre a base informada, sem comparar desconto simplificado vs deduções legais item a item. Holerites reais podem incluir outros rendimentos, pensão, férias no mês etc.
- Posso confiar no FGTS e na multa de 40%?
- São projeções sobre bases digitadas (bruto e provisão de férias para o depósito mensal de 8%). Demissão sem justa causa, saque e regras de multa dependem de tempo de casa e legislação vigente. Use como ordem de grandeza, não como extrato oficial da Caixa.
- Como fazer um comparativo CLT vs PJ?
- Preencha os campos de salário bruto e benefícios na coluna CLT e o faturamento esperado na coluna PJ. A calculadora mostra o pacote mensal estimado de cada lado, incluindo 13º, férias, FGTS e impostos. O comparativo final aponta qual modelo deixa mais no bolso com os números informados.
- O que considerar além do salário na comparação CLT x PJ?
- Na CLT, o pacote inclui direitos que não aparecem no holerite: FGTS mensal (8%), 13º salário, férias com um terço e proteção trabalhista. No PJ, você negocia o valor bruto, mas precisa cobrir contador, DAS, pró-labore, INSS e guardar sua própria reserva de férias e emergência. O comparativo CLT vs PJ só faz sentido quando os dois lados têm os mesmos itens na conta.
- Qual a diferença de impostos entre CLT e PJ no Simples Nacional?
- Na CLT, a retenção de INSS + IRRF costuma ficar entre 20% e 30% do bruto, dependendo do salário. No Simples Nacional, a alíquota efetiva do DAS começa em 6% (Anexo III, faixa 1) e sobe conforme o faturamento acumulado em 12 meses. Em muitos cenários de faturamento entre R$ 8 mil e R$ 20 mil mensais, o PJ no Simples paga menos imposto — mas o PJ também não tem os benefícios automáticos da CLT, o que muda o resultado do comparativo.
- Quanto preciso faturar como PJ para igualar meu salário CLT?
- Depende do regime tributário, benefícios e despesas de cada caso. Em geral, faturar de 20% a 40% a mais que o salário bruto CLT costuma equilibrar o comparativo, cobrindo impostos, contador e as provisões que a CLT garante por lei. Use a calculadora acima para simular o seu cenário específico.